domingo, 18 de janeiro de 2009

Saudade das raves



Sinto falta de uma rave... Rave é uma das coisas nesta vida que me completa. Rave é paz. Não vemos confusão, tumulto, brigas, discussões.
Vemos pessoas preocupadas em respeitar todos presentes sem precisar intender a essência de cada um.

Estamos ali, em verdadeiro transe e meditação ao som da musica que nos faz dançar involuntariamente, som este que nos leva a buscar caminhos em nossas mentes que estão muitas vezes adormecidos na fumaça do sistema que vivemos, o qual embaraça nossos sentidos e nossa percepção.

Rave é união. A vibração que o ambiente produz é algo mágico, todas aquelas pessoas exalando energia positiva faz com que seja criada uma corrente de felicidade contagiante solta no ar.
Rave é liberdade. Todos temos a chance de buscar no interior o verdadeiro eu, deixando o ego de lado por algumas horas e nos preocupamos simplesmente em não nos preocupar.

Na rave não existe tempo. Ouvindo as batidas infinitas, nos lembramos das batidas do coração, aquelas que impulsionam a vida. Nos lembramos que vivemos, que somos abençoados por termos o universo a nossa disposição, universo este tão rico, e de tão pouco interesse para a maioria.


Dançando em plena harmonia, falamos a língua de Deus, intendemos e valorizamos a natureza e o meio-ambiente.
Muitos, dotados de pré-conceito, e na ignorância de acreditar em tudo que é ouvido, quando mencionado a palavra rave, vinde logo a idéia de um lugar junkie, onde pessoas deslumbradas vão para se entupirem de drogas. Isso não é verdade, rave não é isso, mais rave não deixa de ser liberdade.
O uso de drogas pode ser visto em qualquer lugar na atualidade, na festa que for, independente do estilo.
Nem todas as pessoas que intendem o significado das raves são necessariamente usuárias de algum tipo de droga, mais nem por isso se sentem superiores aos que fazem uso, uma vez que com a presença de usuários ou não, a paz prevalece. Diferente das outras festas onde muitas vezes as pessoas enchem a cara de álcool e fazem alguma besteira que perturba a paz alheia.

As pessoas que freqüentam rave são comuns. Geralmente trabalhadoras e dedicas em suas atividades e dotadas de respeito pelo próximo no cotidiano. Os fins de semana nas raves é o merecido descanso pro espirito.
De forma alguma digo que seria uma fuga da realidade, acredito que seja um encontro com a realidade, uma vez que nos desprendemos do sistema criado pelo homem, e nos encontramos com o sistema criado pelo universo.



Nas histórias do hinduísmo, o Deus Shiva, aquele responsável pelo caminho espiritual dos homens e renovador de todos os paradigmas mundanos, aparece em uma de suas imagens como Nataraja, o Deus dos dançarinos, como pode ser visto no texto a seguir:

``Shiva Nataraja é uma das mais poderosas representações de Shiva. Há várias posturas de dança de Shiva. Nataraja, no entanto, é o tandava, movimento de dança mais conhecido. Podemos observar em Nataraja a combinação do asceta (o yogui) com o dançarino (o artista). Ambos são considerados idênticos em suas performances, pela completa entrega a deus. Shiva é o mestre do Yoga e das ciências espirituais, assim como das artes, especialmente a dança e a música. É representado com quatro braços. Na mão direita, ao alto, ele segura o tambor (damaru), que simboliza o princípio do som, da palavra; do som vem toda a linguagem, a música e o conhecimento.O tambor simboliza também o éter ou espaço, que propaga o som e também o primeiro elemento que surgiu. Na mão esquerda, ao alto, formando a ardhacandra mudra (mudra da meia lua), ele tem o fogo como elemento de destruição do mundo, da dissolução da criação. O tambor e o fogo representam o contínuo ciclo cósmico de criação e dissolução. A mão esquerda à frente traz a gajahasta mudra que descreve, na dança indiana, a tromba do elefante. A tromba tem a simbologia do discernimento: o elefante sabe exatamente discernir a força que deve usar quando arranca uma árvore ou quando apanha uma palha no chão. No caminho do autoconhecimento é necessário o discernimento para que possamos separar o que é real (absoluto, eterno, verdadeiro) e o que é irreal (relativo, passageiro, mutante). A mão direita à frente forma abhaya mudra, gesto de afastamento do medo, da proteção e das bênçãos . O pé esquerdo levantado transmite ao homem que ele também se levante a si mesmo na busca de sua Verdade Interior.O pé direito, neste momento da Dança Cósmica, está apoiado sobre um homem com corpo de criança e rosto de adulto – Apasmara Purusha, simbolizando o ego infantil, a imaturidade emocional, a irresponsabilidade. Nataraja controla-o. Algumas representações de Nataraja mostram um círculo de chamas em torno d’Ele, simbolizando a dança da natureza, tendo Shiva, o Próprio Um, no centro. D’Ele tudo emana e n’Ele tudo se dissolve. Apesar de seu corpo estar em movimento, sua expressão facial é de serenidade. Isto indica que embora vivendo na agitação do mundo devemos nos manter ligados à nossa Verdadeira e Eterna Natureza Interior.´´
http://www.tantrayoga.org.br/mitologia_shivanataraja.htm



Portanto podemos ver a forte ligação das raves com a espiritualidade, seria uma forma de se encontrar com Deus.


Um símbolo normalmente ligado as raves e ao trance em si é OM ou Aum, símbolo que significa a criação do universo e de todos os valores universais que habitam dentro de cada ser, de acordo com as tradições orientais.

Todos os verdadeiros freqüentadores de raves meditam e se libertam quando estão ouvindo o trance e sentindo o trance, mesmo que inconscientes.

Mais porque sinto falta das raves? Por que elas estão acabando.

Mais como assim, no Brasil vemos dezenas de festas raves todos os fins de semana!

O que acontece, é que todos estes valores estão sendo esquecidos, deixados de lado.

O capitalismo, destruidor, em tudo se infiltra. Ultimamente as raves viram sinônimo de modinha, pessoas vão para desfilar, encherem a cara, buscar parceiras e parceiros para dar uma trepadinha, entre outras atitudes que destroem a vibração positiva.


Acabam desfigurando todo misticismo real das raves, destroem todos os valores e tradições destas festas, além de destruírem o cenário em si, pois não existe o respeito com o meio ambiente.


As raves acabaram se transformando também nas boates capitalistas, porem em lugares abertos. A sorte que ainda existe alguns festivais que prevalecem a boa energia.

Quando voltar para o Brasil, quero muito conhecer o encontro chamado Universo Pararello, onde parece que os verdadeiros apreciadores desta arte viajam para o nordeste para usufruir deste encontro com a natureza. Alem de muito trance, acontece meditações na praia,
Taí Chi Chuan, arte e muitas outras coisas do gênero. Tudo isso em uma decoração digna de templo budista/hinduísta.
No final deste ano se Deus quiser, estarei por lá, para matar minha saudade

http://www.youtube.com/watch?v=yLZO30ZiKZU&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=d7meExe9ffU

O shaman

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