domingo, 18 de janeiro de 2009

Saudade das raves



Sinto falta de uma rave... Rave é uma das coisas nesta vida que me completa. Rave é paz. Não vemos confusão, tumulto, brigas, discussões.
Vemos pessoas preocupadas em respeitar todos presentes sem precisar intender a essência de cada um.

Estamos ali, em verdadeiro transe e meditação ao som da musica que nos faz dançar involuntariamente, som este que nos leva a buscar caminhos em nossas mentes que estão muitas vezes adormecidos na fumaça do sistema que vivemos, o qual embaraça nossos sentidos e nossa percepção.

Rave é união. A vibração que o ambiente produz é algo mágico, todas aquelas pessoas exalando energia positiva faz com que seja criada uma corrente de felicidade contagiante solta no ar.
Rave é liberdade. Todos temos a chance de buscar no interior o verdadeiro eu, deixando o ego de lado por algumas horas e nos preocupamos simplesmente em não nos preocupar.

Na rave não existe tempo. Ouvindo as batidas infinitas, nos lembramos das batidas do coração, aquelas que impulsionam a vida. Nos lembramos que vivemos, que somos abençoados por termos o universo a nossa disposição, universo este tão rico, e de tão pouco interesse para a maioria.


Dançando em plena harmonia, falamos a língua de Deus, intendemos e valorizamos a natureza e o meio-ambiente.
Muitos, dotados de pré-conceito, e na ignorância de acreditar em tudo que é ouvido, quando mencionado a palavra rave, vinde logo a idéia de um lugar junkie, onde pessoas deslumbradas vão para se entupirem de drogas. Isso não é verdade, rave não é isso, mais rave não deixa de ser liberdade.
O uso de drogas pode ser visto em qualquer lugar na atualidade, na festa que for, independente do estilo.
Nem todas as pessoas que intendem o significado das raves são necessariamente usuárias de algum tipo de droga, mais nem por isso se sentem superiores aos que fazem uso, uma vez que com a presença de usuários ou não, a paz prevalece. Diferente das outras festas onde muitas vezes as pessoas enchem a cara de álcool e fazem alguma besteira que perturba a paz alheia.

As pessoas que freqüentam rave são comuns. Geralmente trabalhadoras e dedicas em suas atividades e dotadas de respeito pelo próximo no cotidiano. Os fins de semana nas raves é o merecido descanso pro espirito.
De forma alguma digo que seria uma fuga da realidade, acredito que seja um encontro com a realidade, uma vez que nos desprendemos do sistema criado pelo homem, e nos encontramos com o sistema criado pelo universo.



Nas histórias do hinduísmo, o Deus Shiva, aquele responsável pelo caminho espiritual dos homens e renovador de todos os paradigmas mundanos, aparece em uma de suas imagens como Nataraja, o Deus dos dançarinos, como pode ser visto no texto a seguir:

``Shiva Nataraja é uma das mais poderosas representações de Shiva. Há várias posturas de dança de Shiva. Nataraja, no entanto, é o tandava, movimento de dança mais conhecido. Podemos observar em Nataraja a combinação do asceta (o yogui) com o dançarino (o artista). Ambos são considerados idênticos em suas performances, pela completa entrega a deus. Shiva é o mestre do Yoga e das ciências espirituais, assim como das artes, especialmente a dança e a música. É representado com quatro braços. Na mão direita, ao alto, ele segura o tambor (damaru), que simboliza o princípio do som, da palavra; do som vem toda a linguagem, a música e o conhecimento.O tambor simboliza também o éter ou espaço, que propaga o som e também o primeiro elemento que surgiu. Na mão esquerda, ao alto, formando a ardhacandra mudra (mudra da meia lua), ele tem o fogo como elemento de destruição do mundo, da dissolução da criação. O tambor e o fogo representam o contínuo ciclo cósmico de criação e dissolução. A mão esquerda à frente traz a gajahasta mudra que descreve, na dança indiana, a tromba do elefante. A tromba tem a simbologia do discernimento: o elefante sabe exatamente discernir a força que deve usar quando arranca uma árvore ou quando apanha uma palha no chão. No caminho do autoconhecimento é necessário o discernimento para que possamos separar o que é real (absoluto, eterno, verdadeiro) e o que é irreal (relativo, passageiro, mutante). A mão direita à frente forma abhaya mudra, gesto de afastamento do medo, da proteção e das bênçãos . O pé esquerdo levantado transmite ao homem que ele também se levante a si mesmo na busca de sua Verdade Interior.O pé direito, neste momento da Dança Cósmica, está apoiado sobre um homem com corpo de criança e rosto de adulto – Apasmara Purusha, simbolizando o ego infantil, a imaturidade emocional, a irresponsabilidade. Nataraja controla-o. Algumas representações de Nataraja mostram um círculo de chamas em torno d’Ele, simbolizando a dança da natureza, tendo Shiva, o Próprio Um, no centro. D’Ele tudo emana e n’Ele tudo se dissolve. Apesar de seu corpo estar em movimento, sua expressão facial é de serenidade. Isto indica que embora vivendo na agitação do mundo devemos nos manter ligados à nossa Verdadeira e Eterna Natureza Interior.´´
http://www.tantrayoga.org.br/mitologia_shivanataraja.htm



Portanto podemos ver a forte ligação das raves com a espiritualidade, seria uma forma de se encontrar com Deus.


Um símbolo normalmente ligado as raves e ao trance em si é OM ou Aum, símbolo que significa a criação do universo e de todos os valores universais que habitam dentro de cada ser, de acordo com as tradições orientais.

Todos os verdadeiros freqüentadores de raves meditam e se libertam quando estão ouvindo o trance e sentindo o trance, mesmo que inconscientes.

Mais porque sinto falta das raves? Por que elas estão acabando.

Mais como assim, no Brasil vemos dezenas de festas raves todos os fins de semana!

O que acontece, é que todos estes valores estão sendo esquecidos, deixados de lado.

O capitalismo, destruidor, em tudo se infiltra. Ultimamente as raves viram sinônimo de modinha, pessoas vão para desfilar, encherem a cara, buscar parceiras e parceiros para dar uma trepadinha, entre outras atitudes que destroem a vibração positiva.


Acabam desfigurando todo misticismo real das raves, destroem todos os valores e tradições destas festas, além de destruírem o cenário em si, pois não existe o respeito com o meio ambiente.


As raves acabaram se transformando também nas boates capitalistas, porem em lugares abertos. A sorte que ainda existe alguns festivais que prevalecem a boa energia.

Quando voltar para o Brasil, quero muito conhecer o encontro chamado Universo Pararello, onde parece que os verdadeiros apreciadores desta arte viajam para o nordeste para usufruir deste encontro com a natureza. Alem de muito trance, acontece meditações na praia,
Taí Chi Chuan, arte e muitas outras coisas do gênero. Tudo isso em uma decoração digna de templo budista/hinduísta.
No final deste ano se Deus quiser, estarei por lá, para matar minha saudade

http://www.youtube.com/watch?v=yLZO30ZiKZU&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=d7meExe9ffU

O shaman

sábado, 17 de janeiro de 2009

Ouvindo Cores

Segue minha primeira poesia depois de muito tempo sem escrever nada do tipo. Quando era pivete, alguns anos atras, vez ou outra brincava de poeta, mas foi algo que esqueci, simplesmente deixei de lado.
Tento recuperar este tempo perdido no hoje, espero aos poucos, com alguma prática, alcançar as habilidades com palavras que tinha no passado.





Ouvindo Cores

Neste espaço branco que minha alma é presenteada

Vejo cores que saltitam pela visão acrescentada

Sinto a imensidão das estrelas vagando no alto

Subo no topo do universo simplesmente com um salto


Lá de cima vejo a lua cantando

Os pinheiros contentes com seus galhos presenteando

A neve consome meus passos lentos

Para que assim devagar caminhando eu possa conhecer o vento


Ventos que me dizem coisas sobre a vida

A verdade do universo que para poucos foi concebida

Agradeço aos céus por poder ver algo tão belo

Descobrir que tudo faz parte de um mesmo elo


Nas águas congeladas vejo o reflexo do altruísmo

E descubro a imensidão do conhecimento olhando de um abismo

E ouvindo atentamente o
silêncio desta noite escura

Percebo que a reliadade esta muito próxima da loucura.


Nas pedras inertes aprendo um pouco sobre ser humilde

Sento junto a elas, encarecido peço alguns palpites

Escuto que os detalhes devem ser vistos com fervor

Pois em cada forma esta o próprio Criador.


Meus sentidos confundidos me cercam neste laço

Deixo de ser matéria e me fundo com o espaço

Não existe mais tempo, nao existe mais ego

Consciência expandida? Abençoados cogumelos.


O Shaman.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Tatuagem



Tatuagem é uma de minhas paixões nesta vida. Sou grande admirador da arte, da beleza, do simbolismo e da filosofia em suas mais variadas formas. O corpo tatuado seria uma fusão de todas essas particularidades de um indivíduo expressas de forma viva pela pele. Tatuagem é a forma de viver seus aprendizados, de transformar o oculto em presença e lembranças, alem de forma artística de expressar autencidade ou ainda gostos e preferencias sociais. O que me chama atenção neste cenário é que normalmente, por traz de cada tatuagem, existe uma história.

Sim, dói um pouco, mais nada que não se possa agüentar.

Tatuei Mens Sana In Corpore Sano nas costas, junto de duas estrelas de David, poucos meses atraz. Sempre fui fascinado por vida saudável (nem sempre seguidor deste fascínio) e pela atividade física.
O significado da tatuagem, no contexto moderno, seria algo como somente a mente saudável pode possuir um corpo saudável e vice-versa, o que de fato, não é verdade. Podemos ver pessoas lindas de corpo, mais doentes na cabeca. Pessoas que, pelo culto ao próprio corpo se transformam em narcisistas e conseqüentemente egoístas e orgulhosas. Este fator é ´´normal´´na atualidade, onde a imagem muitas vezes é mais importante que o conteúdo, para alguns. Vemos também gente com a saúde não tão confiável, porem dotadas de intelecto, ricas em conhecimento.
O que aconteceu foi que a geração atual adotou a frase em latim para justificar seus meios, principalmente aqueles que pensam que por terem saúde física são providas de alguma forma de superioridade. Porem não podemos generalizar de forma alguma, acho muito sensato uma vida equilibrada, visando o desenvolvimento do intelecto e da condição física.
Sempre fui freqüentador de academias, funciona para mim como medicação, pois é onde extravaso energia acumulada e recebo em troca melhorias na qualidade física. Alcanço desta forma uma tranqüilidade enorme que ajuda no bem-estar mental.


O real significado da frase provem do poeta romano Juvenal que viveu entre o primeiro e o segundo século. A intenção de seu poema foi de mencionar que devemos procurar na vida principalmente equilíbrio. Pedir a Deus coisas úteis para nosso ser, para nossa evolução.

É uma crítica sobre aqueles que oram pedindo para Deus satisfazer seus desejos mundanos.
Esta é a citação original de Juvenal em latim:
orandum est ut sit mens sana in corpore sano.
fortem posce animum mortis terrore carentem,
qui spatium uitae extremum inter munera ponat
naturae, qui ferre queat quoscumque labores,
nesciat irasci, cupiat nihil et potiores
Herculis aerumnas credat saeuosque labores
et uenere et cenis et pluma Sardanapalli.
monstro quod ipse tibi possis dare; semita certe
tranquillae per uirtutem patet unica uitae.
E então a tradução seria mais ou menos assim:

Deve-se pedir em oração que a mente seja sã num corpo são.
Peça uma alma corajosa que careça do temor da morte,
que ponha a longevidade em último lugar entre as bênçãos da natureza,
que suporte qualquer tipo de labores,
desconheça a ira, nada cobice e creia mais
nos labores selvagens de Hércules do que
nas satisfações, nos banquetes e camas de plumas de um rei oriental.
Revelarei aquilo que podes dar a ti próprio;
Certamente, o único caminho de uma vida tranquila passa pela virtude.

As duas estrelas de David é uma forma de homenagem aos meus ante-passados. Meu bisavô era judeu e viveu durante o holocausto. Toda a família foi capturada e assassinada nos campos de concentração, somente ele conseguiu escapar e veio refugiado para o Brasil. Se casou e constituiu família, e, aqui estou eu.

E alem destes significados, as estrelas em linguagem bíblica sãos escudos de Deus, que nos afastam de todo o mal. No mais, a maioria das tatuagens tem um significado oculto, eu aconselho a aqueles que pretendem fazer, optar por uma que tenha relação direta com a vida do indivíduo em questão, assim se forma uma relação fiél com sua tatuagem, impedindo futuros arrependimentos.
Pretendo fazer em breve uma grande imagem do Deus hindu Shiva nas minhas costas, figura repleta de simbolismos e significados, todos interligados a virtude e ética. Mais essa é uma outra história.

Vários significados, alem de história, curiosidade e informação sobre tattoo podem ser encontrados neste blog:

http://estimulanet-tattoo.blogspot.com/2008/09/significado-de-tatuagens.html
.
A linda tatuagem do início da postagem pertence a amiga Déia, e os créditos são de do Galo Tattoo, São Paulo.
O Shaman

Samba de bênção.

Marcus Vinicius da Cruz de Melo Moraes, ou, popularmente conhecido como Vinicius de Moraes.
Poeta e compositor carioca (sem contar que também foi diplomata e jornalista).
Sensibilizou gerações, e assim continua a fazer, uma vez que seu legado é imortal.
De fato eu nunca fui um ouvinte ou um leitor respeitável de Vinicius, porem depois do fim de semana passado, escutando uma de suas música tocada por um amigo, em um chalé no meio do nada á -15graus, prestando atenção na ternura e na filosofia da letra, percebi que se tratava de uma obra-prima, que se expressa de forma sutil e idolatra a vida simples, em poucas palavras. Compartilho com vocês este samba, o Samba da bênção, cantando por Vinicius e tocado por Toquinho, para ouvir e meditar.


video

O Shaman

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

O mito da caverna.

O famoso mito da caverna, escrito por Platão, fala por si só. É uma comparação concreta das pessoas que se prendem em seus ``mundinhos´´, e ali se acomodam, sem o mínimo interesse em se livrar das garras da ignorância e da manipulação. Retrato de muitos seguidores de religiões que aceitam tudo que lhes é dado sem exitar, mesmo sabendo que as religiões do hoje são corrompidas pela escrita maliciosa do homem com interesses em manter a mente de seus seguidores aprisionada. Desta forma muita gente sai ganhando e a humanidade continua se atrasando. A metáfora deste dialogo é uma riqueza grandiosa para a literatura e para o conhecimento, pois explica de forma simples a ignorância do homem, e o preconceito que sofre os que buscam enxergar alem daquilo que nos é imposto





Sócrates – Agora imagina a maneira como segue o estado da nossa natureza relativamente à instrução e à ignorância. Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoços acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles, pois as correntes os impedem de voltar a cabeça; a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada ascendente. Imagina que ao longo dessa estrada está construído um pequeno muro, semelhante às divisórias que os apresentadores de títeres armam diante de si e por cima das quais exibem as suas maravilhas.


Glauco – Estou vendo.




Sócrates – Imagina agora, ao longo desse pequeno muro, homens que transportam objetos de toda espécie, que os transpõem: estatuetas de homens e animais, de pedra, madeira e toda espécie de matéria; naturalmente, entre esses transportadores, uns falam e outros seguem em silêncio.


Glauco - Um quadro estranho e estranhos prisioneiros.




Sócrates - Assemelham-se a nós. E, para começar, achas que, numa tal condição, eles tenham alguma vez visto, de si mesmos e de seus companheiros, mais do que as sombras projetadas pelo fogo na parede da caverna que lhes fica defronte?


Glauco - Como, se são obrigados a ficar de cabeça imóvel durante toda a vida?




Sócrates - E com as coisas que desfilam? Não se passa o mesmo?




Glauco - Sem dúvida.


Sócrates - Portanto, se pudessem se comunicar uns com os outros, não achas que tomariam por objetos reais as sombras que veriam?




Glauco - É bem possível.


Sócrates - E se a parede do fundo da prisão provocasse eco sempre que um dos transportadores falasse, não julgariam ouvir a sombra que passasse diante deles?




Glauco - Sim, por Zeus!


Sócrates - Dessa forma, tais homens não atribuirão realidade senão às sombras dos objetos fabricados?




Glauco - Assim terá de ser.


Sócrates - Considera agora o que lhes acontecerá, naturalmente, se forem libertados das suas cadeias e curados da sua ignorância. Que se liberte um desses prisioneiros, que seja ele obrigado a endireitar-se imediatamente, a voltar o pescoço, a caminhar, a erguer os olhos para a luz: ao fazer todos estes movimentos sofrerá, e o deslumbramento impedi-lo-á de distinguir os objetos de que antes via as sombras. Que achas que responderá se alguém lhe vier dizer que não viu até então senão fantasmas, mas que agora, mais perto da realidade e voltado para objetos mais reais, vê com mais justeza? Se, enfim, mostrando-lhe cada uma das coisas que passam, o obrigar, à força de perguntas, a dizer o que é? Não achas que ficará embaraçado e que as sombras que via outrora lhe parecerão mais verdadeiras do que os objetos que lhe mostram agora?




Glauco - Muito mais verdadeiras.


Sócrates - E se o forçarem a fixar a luz, os seus olhos não ficarão magoados? Não desviará ele a

vista para voltar às coisas que pode fitar e não acreditará que estas são realmente mais distintas do que as que se lhe mostram?




Glauco - Com toda a certeza.


Sócrates - E se o arrancarem à força da sua caverna, o obrigarem a subir a encosta rude e escarpada e não o largarem antes de o terem arrastado até a luz do Sol, não sofrerá vivamente e não se queixará de tais violências? E, quando tiver chegado à luz, poderá, com os olhos ofuscados pelo seu brilho, distinguir uma só das coisas que ora denominamos verdadeiras?




Glauco - Não o conseguirá, pelo menos de início.


Sócrates - Terá, creio eu, necessidade de se habituar a ver os objetos da região superior. Começará por distinguir mais facilmente as sombras; em seguida, as imagens dos homens e dos outros objetos que se refletem nas águas; por último, os próprios objetos. Depois disso, poderá, enfrentando a claridade dos astros e da Lua, contemplar mais facilmente, durante a noite, os corpos celestes e o próprio céu do que, durante o dia, o Sol e sua luz.




Glauco - Sem dúvida.


Sócrates - Por fim, suponho eu, será o sol, e não as suas imagens refletidas nas águas ou em qualquer outra coisa, mas o próprio Sol, no seu verdadeiro lugar, que poderá ver e contemplar tal qual é.




Glauco - Necessariamente.


Sócrates - Depois disso, poderá concluir, a respeito do Sol, que é ele que faz as estações e os anos, que governa tudo no mundo visível e que, de certa maneira, é a causa de tudo o que ele via com os seus companheiros, na caverna.




Glauco - É evidente que chegará a essa conclusão.


Sócrates - Ora, lembrando-se de sua primeira morada, da sabedoria que aí se professa e daqueles que foram seus companheiros de cativeiro, não achas que se alegrará com a mudança e lamentará os que lá ficaram?




Glauco - Sim, com certeza, Sócrates.


Sócrates - E se então distribuíssem honras e louvores, se tivessem recompensas para aquele que se apercebesse, com o olhar mais vivo, da passagem das sombras, que melhor se recordasse das que costumavam chegar em primeiro ou em último lugar, ou virem juntas, e que por isso era o mais hábil em adivinhar a sua aparição, e que provocasse a inveja daqueles que, entre os prisioneiros, são venerados e poderosos? Ou então, como o herói de Homero, não preferirá mil vezes ser um simples lavrador, e sofrer tudo no mundo, a voltar às antigas ilusões e viver como vivia?




Glauco - Sou de tua opinião. Preferirá sofrer tudo a ter de viver dessa maneira.


Sócrates - Imagina ainda que esse homem volta à caverna e vai sentar-se no seu antigo lugar: Não ficará com os olhos cegos pelas trevas ao se afastar bruscamente da luz do Sol?




Glauco - Por certo que sim.


Sócrates - E se tiver de entrar de novo em competição com os prisioneiros que não se libertaram de suas correntes, para julgar essas sombras, estando ainda sua vista confusa e antes que seus olhos se tenham recomposto, pois habituar-se à escuridão exigirá um tempo bastante longo, não fará que os outros se riam à sua custa e digam que, tendo ido lá acima, voltou com a vista estragada, pelo que não vale a pena tentar subir até lá? E se alguém tentar libertar e conduzir para o alto, esse alguém não o mataria, se pudesse fazê-lo?




Glauco - Sem nenhuma dúvida.


Sócrates - Agora, meu caro Glauco, é preciso aplicar, ponto por ponto, esta imagem ao que dissemos atrás e comparar o mundo que nos cerca com a vida da prisão na caverna, e a luz do fogo que a ilumina com a força do Sol. Quanto à subida à região superior e à contemplação dos seus objetos, se a considerares como a ascensão da alma para a mansão inteligível, não te enganarás quanto à minha idéia, visto que também tu desejas conhecê-la. Só Deus sabe se ela é verdadeira. Quanto a mim, a minha opinião é esta: no mundo inteligível, a idéia do bem é a última a ser apreendida, e com dificuldade, mas não se pode apreendê-la sem concluir que ela é a causa de tudo o que de reto e belo existe em todas as coisas; no mundo visível, ela engendrou a luz; no mundo inteligível, é ela que é soberana e dispensa a verdade e a inteligência; e é preciso vê-la para se comportar com sabedoria na vida particular e na vida pública.




Glauco - Concordo com a tua opinião, até onde posso compreendê-la.
(Platão, A República, v. II, p. 105 a 109)

Ocultismo, sociedade e fé


Acordamos todos os dias. As vezes mau-humorados, as vezes energéticos e dispostos. Comemos alguma coisa, escovamos os dentes (normalmente) e partimos para luta. Podemos esperar um dia rotineiro e longo, mais também podemos ter surpresas desagradáveis ou não.

No caminho para o trabalho, escola, ou para qualquer outro lugar, observamos uma sociedade parcialmente organizada. Vemos gente apressada na rua, falando ao celular. Olhamos alguns outdoors anunciando produtos caros, enfim vemos coisas ``normais`` em seus devidos lugares e simplesmente nos acostumamos com esta vida.

Estamos cientes que vivemos em uma sociedade capitalista. Mais do que cientes, em muitos casos, arrisco, seguidores desta religião criada pelo homem para simplesmente atender seus desejos mais egoístas e materiais. Não temos culpa, nascemos sobre este contexto. Fomos ensinados a viver desta forma, e cada vez mais somos levados a viver de forma individual, cada vez mais nosso ego se torna voz ativa em nossas mentes e passamos a viver de imagem.

Consequentemente, se pararmos um pouco e respirar, descobriremos que temos uma certa ansiedade natural. Normalmente atribuímos esta ansiedade a acontecimentos e possíveis fatores do cotidiano, ligados muitas vezes a causas dramáticas, como emprego, família, romances entre outros. Mais se conseguirmos olhar para dentro veremos que de fato essa ansiedade provem de outro lugar, um lugar muito perto de cada um que é o verdadeiro eu, muitas vezes aprisionado em sistemas sofisticados que impedem a expansão do ser.

Todos sonhamos com a tal felicidade, que talvez seria o cessar desta ansiedade e a total convivência com uma admirada paz interior.

Exatamente neste ponto que busquei o oculto. Quando me deparei com uma vida sem sentido e injusta, quando captei alguns acontecimentos que muitas vezes passavam despercebidos. Passei então a ver o mundo, as formas, a natureza com outros olhos. Passei a viver pelo oculto.

Antes de tudo é importante ressaltar que não explicamos o ocultismo. As palavras usadas para defini-lo são meramente superficiais, senão insuficientes para representar com clareza todos os atributos favoráveis a um individuo que busca compreender o universo livre de aprisionamentos mentais. Para passar a enxergar o que os olhos não vêem, é necessário querer, mais querer com vontade uma fé louca que supera o ceticismo natural da personalidade humana, fruto dos sistemas a qual estamos acostumados. Muitas vezes o oculto é imposto para você, muitas vezes certos acontecimentos na vida te deixam intrigado e curioso, e então, passamos naturalmente a perceber certas coisas, é uma questão de estar atento aos detalhes. Pessoas ligadas ao ocultismo geralmente recebem esta clarividência em seus genes, não muito raro toda uma família tem ligação com o oculto.

No mais o ocultismo esta presente em todos os seres-humanos, cabe a cada um busca-lo.
Dando uma definição dinâmico sobre o significado de ocultismo, a resposta mais elaborada seria que não existe significado em si, uma vez que é uma ciência sem precisão, é algo que vem de dentro e é entendida e interpretada de diversas maneiras.

O ocultismo é a ciência que estuda a compreensão do universo, é a ciência que desvenda os segredos da natureza e que controla o destino da humanidade

O exemplo mais comum de ocultismo são as próprias religiões em si, todas têm explicações vastas e detalhadas sobre as questões sem respostas na qual vivemos no hoje. A maioria fornece um caminho sobrenatural para ser seguido e dar razão ao viver de forma direta e imposta, sem dar espaço ao homem viver e contestar sua fé. Essas são as religiões que não aceitam ideologias contrarias aos seus métodos, pois sabem do medo que o homem sente do inesperado, da incógnita, e, desta forma podem manipular a mente do homem, o impedindo de buscar seu próprio caminho e a sua própria natureza, uma vez que foi criado e mantido constantemente sobre este contexto. Como na sociedade que vivemos, as pessoas se acomodam com o que lhe é imposto, e vivem desta forma.

O que quero dizer, que o ocultismo não se resume em apenas um caminho. Entender os mistérios da vida exige muita curiosidade e estudo, é como um grande quebra-cabeça.

São dominados magos, bruxos, yogue, médiuns, sensitivos, entre diversas outras definições, aqueles que correm por estes caminhos sombrios e pouco explorados. Podem parecer definições chocantes e fantasiosas, mais os magos modernos estão em grande quantidade. Pessoas que menos esperamos muitas vezes são grandes estudiosos da ciência oculta.

A grande procura por estes caminhos revela simplesmente o interesse das pessoas de se descobrirem, conhecer ao certo o porque de sua existência, saber quem é realmente o eu interior e para o que afinal estamos aqui. Intender de fato qual nossa missão perante ao mundo.
Uma coisa tenho certeza, estamos aqui para fazer algo por toda humanidade. Uma vez que a vida e toda a criação foi desenvolvida para nós, temos que viver em base de agradecimento, que se constituem basicamente em atitudes não egoístas, o que seria de fato um amor incondicional.

No decorrer de minhas postagens neste blog, falarei um pouco sobre os métodos que procuro para atingir minha paz. Não são necessariamente os métodos corretos ou únicos, mais foram revelados com muita meditação e vivencia.

O verdadeiro mago deve estar livre. Liberdade na mente significa não aceitar sistemas sem antes entendê-los, uma vez que todas as historias podem ser analisadas de vários pontos. O mago é um devorador de conhecimento, ele não se contenta com apenas um lado da historia, ele precisa sentir, interagir, viver o conteúdo e, por fim, absorver tudo aquilo que lhe trará evolução.

Busquei entender a essência humana lendo muito sobre vários pontos de vista religiosos, além de confiar na intuição natural que possuimos.

Meu interesse maior é o desenvolvimento do espírito. Na minha concepção somos seres imortais, nossa alma é única e mutável. E é correr atraz desta evolução que me mantém cheio de vida. É saber que este mundo que vivemos é pura ilusão e passageiro que me faz ser paciente e aceitar os acontecimentos com sabedoria. Tento sempre absorver a virtude na dor, a vitória no fracasso, a luz na escuridão. Minhas ideologias são voltadas para o altruísmo, caminho glorioso que nos aproxima de Deus. Mais o que é Deus? Cabe a cada natureza humana encontrar a resposta com meditação, silencio e vida. Nada melhor que o dia após dia nos trazendo pistas e acrescentando sabedoria, nos fazendo aproximar da paz interior.

Quando passamos a entender o significado de viver, quando descobrimos a verdade, o ``mundinho´´ capitalista mencionado no início, transforma-se em algo fútil, algo desnecessário.

Não digo que devemos sair da sociedade, viver isolados. Pelo contrario. O sábio vive nela tão bem quanto aos que a aceitam e deixam por isso. Mais o sábio faz sua parte pela a mudança, ele tenta expressar seu ponto de vista para a construção de uma sociedade mais justa a todos. O sábio quer que todos enxerguem seu verdadeiro eu, desta forma as coisas iriam se ajeitar, a humanidade buscaria outros métodos mais racionais para organizar as coisas.
A humanidade precisa enxergar o que é realmente Deus com seus próprios olhos, não seguindo ideologias já prontas. Nossa consciência é infinita, vir para esta vida e sair dela sem buscar por conhecimento é a mesma coisa que passar em branco, somente como espectador. Este é meu ocultismo. Dentro do meu ocultismo, existe Deus, e esta é a minha definição sobre Ele:

Meu Deus é o Deus do amor. Das atitudes nobres e da contribuição para a construção de uma humanidade mais digna, mais humana.
E os caminhos para se chegar a ``este Deus`` esta em todas as escrituras que visam acima de tudo o desenvolvimento de um espírito nobre e honrado que segue seus passos na terra com dedicação e solidariedade.
Eu vejo o mundo, o universo, todas as coisas provenientes da mesma máteria, a máteria criadora.
As nossas atitudes zelam pela manutenção do universo, e nos fazem aproximar desta verdade Divina. Quanto mais ajudamos, quanto mais amor doamos ao próximo sem nada esperar em troca, mais livres nos tornamos.
Esta e outras de dizer sobre um ``Deus verdadeiro`` são meramente palavras do homem. O ser humano não faz ideia da verdadeira essência de Deus. O único sentimentos que temos para compreender sua existência é a paz interior e a liberdade que sentimos quando praticamos o bem e pensamos alem de nos mesmos.
O fator Deus verdadeiro mencionado por muitos é basicamente fruto das religiões dos homens e de seus interesses materiais anexados ao nome de uma Superioridade Divina. Deus esta dentro de cada um. você precisa apenas de você mesmo para reconhecer isso.
O ser-humano é racional, o ato de raciocinar é o maior bem que temos, é o maior Dom, o maior presente que nos foi dado. Fico triste em saber que muita gente não sabe usufruir deste mecanismo sagrado.
Eu li tudo sobre a maioria das religiões dos homens. Fácil verificar aonde a verdadeira essência de Deus esta viva, e é mais fácil ainda descobrir onde a pseudo verdade do homem conturba a mente do próximo impedindo o mesmo de olhar mais adiante, de enxergar além do que os olhos podem ver.

A minha Intenção com este blog é de transmitir o que aprendi para o próximo, sem nenhum interesse além do compartilhamento de informação. Desejo apenas que as pessoas sejam menos egoístas e descubram o verdadeiro sentido da vida. Postarei vários assuntos sobre religião, filosofia, meditação, etc. Tudo da maneira mais simples possível. Espero do fundo do coração que gostem!

Luz e paz para todos.

O Shaman.

Bem Vindos!

Tenho andado interessado neste mundo novo chamado Blog. Mundo no qual ideias deixam de ser somente ideias e passam a ser ponto de vista concreto, transmitindo mensagens e atraindo afinidades.

Existem muitos blogs focados neste mesmo assunto no qual pretendo compartilhar com todos, mais nenhum deles une os materiais que gostaria de ver juntos, pois penso que apesar de estarem em contextos diferentes, abordam em sua essência a mesma questão oculta.

Desde já agradeço pela existência de almas com sede de sabedoria e com a sensibilidade para perceber a imensidão de coisas que ultrapassam o sentido da matéria. Agradeço por não estar sozinho neste mundo passageiro, agradeço a aqueles que elogiaram meus textos e minha forma de expressão, e me incentivaram, mesmo que inconscientes a criarem este Blog.

Alem da abordagem de diversos assuntos voltados pelo oculto e de outros com cunho meramente informativo/divertido, também pretendo estar sempre compartilhando biografias de grandes personalidades que de forma direta ou não, são membros construtores do grande e rico acervo de material oculto a qual nos foi presenteado. Pretendo também postar alguns poemas de minha humilde autoria, entre outras obras de grandes nomes do cenário literário mundial.

No mais, digo a todos os viajantes que aqui vierem em busca de conhecimento, que fiquem a vontade, a minha casa é a casa de todos. Sou apenas um jovem sonhador com boa intenção, mais, com muita sede de espiritualismo.
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O Shaman